Dificuldade dos Imigrantes na Conquista do Trabalho

Wilner Rosier deixou o Haiti há cerca de 13 anos, rumo ao Brasil. Desembarcou em São Leopoldo (RS), migrou para outras cidades do país e se fixou em Curitiba (PR). Helenys Guzmán deixou a Venezuela há quatro anos, também rumo ao Brasil. Atravessou a fronteira por via terrestre e passou pelos estados de Roraima e Paraíba antes de se fixar na capital do Paraná. Um imigrante chegando ao Brasil pelo sul, outra pelo norte, em épocas diferentes, compartilham a mesma experiência difícil no mercado de trabalho brasileiro: preconceito, baixos salários, subemprego.

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Wilner conta que já trabalhou, entre outras funções, como cuidador de idoso, repositor de supermercado, garçom. Mas as dificuldades para ser aceito em um emprego foram constantes. “[O patrão fala] você, preto, não dou trabalho. Também não dou trabalho porque não fala português”, relata. Em todas as funções, Wilner diz ter trabalhado “só para comer”, recebendo salários baixos, insuficientes para custear todas as contas do mês.

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Helenys relata uma experiência parecida. Professora de matemática, era diretora de escola na Venezuela. Desde que chegou ao Brasil, trabalhou como faxineira de condomínio, ajudante de cozinha, auxiliar administrativa. ‘Eu nunca pensei que iria trabalhar com outro negócio que não fosse aula. Minha vida era escrever, falar. Como troca essa forma de trabalhar? Mas a gente precisa de trabalho, tem que ter uma renda”, diz.

Apesar das similaridades entre português e espanhol, o idioma também foi um entrave para Helenys. “Muitos [patrões] não aceitam [imigrantes] porque não sabem falar português. Outras pessoas ajudam, têm paciência, mas não são todos os chefes de trabalho que aceitam imigrantes por essa dificuldade”, conta.

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Um lar nos movimentos populares

Diante das dificuldades da vida no Brasil, Wilner fala que “quase desistiu”. Os ventos começaram a mudar em 2020, quando ele se integrou à ocupação Nova Guaporé II, no Campo Comprido. Hoje ele constrói a própria casa, apesar das constantes ameaças de despejo que moradores da ocupação sofrem. “Entrei na ocupação e a vida começou a melhorar. Não pago aluguel. Com o dinheiro que entra eu consigo pagar as contas. Se tiver que pagar aluguel, o salário não dá pra viver. Imagina, você paga R$ 800 de aluguel e ganha R$ 1.200. É muita coisa e ainda tem água, luz, comida”, conta.

Helenys, por sua vez, reencontrou-se com o ofício de ensinar a partir de uma rede de padarias comunitárias, em um projeto do Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria). Depois de passar por um processo de formação para aprender sobre panificação, hoje Helenys coordena uma padaria comunitária composta apenas por mulheres venezuelanas. ‘Agora sou professora. De professora de matemática para professora de panificação”, diz.

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Política pública

De acordo com dados do Subcomitê Federal para Acolhimento e Interiorização de Imigrantes em Situação de Vulnerabilidade, Curitiba é a cidade brasileira que mais recebeu imigrantes venezuelanos desde 2018. São 5.986 venezuelanos acolhidos na capital paranaense; do Haiti, são 6.185 acolhidos.

Para atender de forma adequada a população que chega na capital vinda de outros países, tramita na Câmara de Curitiba um projeto de lei que institui a Política Municipal para a População Imigrante. A iniciativa é dos vereadores Giorgia Prates (PT), Professora Josete (PT) e Angelo Vanhoni (PT).

Estão entre as ações prioritárias do projeto está “promover o direito do imigrante ao trabalho decente, atendidas as seguintes orientações: a) igualdade de tratamento e de oportunidades em relação aos demais trabalhadores; b) inclusão da população imigrante no mercado formal de trabalho; c) fomento ao empreendedorismo; d) divulgação de informações de modo voltado a esse público, no tocante a vagas, processos de seleção, documentação e direitos trabalhistas.”

Fonte: BdF Paraná

Edição: Frédi Vasconcelos


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